A médica Ediane Freire, que atua na rede pública de saúde de Itapajé, no interior do Ceará, relatou publicamente dificuldades enfrentadas no exercício da profissão e criticou a falta de retorno às demandas apresentadas por profissionais da categoria à Secretaria Municipal de Saúde.
Concursada pelo município, Ediane trabalha como clínica-geral e pediatra, com atendimentos na Unidade de Saúde Dona Bibi e no Centro de Especialidades Médicas (CEM), além de cumprir dois turnos noturnos como pediatra.
Durante seu relato, a médica afirmou que sua manifestação não tem motivação político-partidária. Segundo ela, o objetivo é tornar públicas situações que, em sua avaliação, têm prejudicado o trabalho dos profissionais e o atendimento aos pacientes.
Ediane explicou que utiliza o grupo de WhatsApp da Secretaria de Saúde para cobrar providências relacionadas a exames atrasados, falta de insumos, encaminhamentos e documentos de pacientes que, conforme relatou, estariam sendo perdidos com frequência.
A profissional destacou a preocupação com gestantes classificadas como de alto risco, que necessitam de acompanhamento e da realização de exames dentro dos prazos adequados. Ela também mencionou dificuldades para conseguir materiais básicos, incluindo fitas utilizadas na verificação da glicemia de pacientes diabéticos.
Segundo a médica, apesar das cobranças recorrentes, muitas das mensagens não recebem respostas ou encaminhamentos que solucionem os problemas apresentados.
• Desentendimento em grupo de WhatsApp
A médica relatou que o conflito mais recente ocorreu após mencionar, no grupo da Secretaria de Saúde, a insatisfação de uma paciente com a perda de encaminhamentos. De acordo com Ediane, ao comentar que a paciente poderia levar a situação ao conhecimento do prefeito, ela não citou nomes nem atribuiu a reclamação a qualquer pessoa específica.
Ainda conforme seu depoimento, a situação provocou uma discussão com Neurissandra, que, segundo a médica, teria utilizado palavras desrespeitosas e questionado seu comprometimento com os pacientes diante dos demais integrantes do grupo.
Ediane afirmou que se sentiu desrespeitada e teve sua imagem profissional atingida. Ela defendeu que as cobranças fazem parte de sua responsabilidade como médica e declarou que continuará reivindicando melhorias necessárias ao atendimento da população.
“Eu acho que sou a médica mais chata do município, mas porque eu cobro. Se for para cobrar o que devo cobrar, eu vou continuar”, afirmou, ao explicar sua postura diante das dificuldades relatadas.
• Médica diz que tentou diálogo com a gestão
Antes de tornar o caso público, Ediane afirmou que procurou o secretário municipal de Saúde, a coordenação da pasta e a chefe de gabinete do prefeito, na tentativa de conseguir uma conversa com o chefe do Executivo municipal.
Segundo ela, a intenção inicial era apresentar as dificuldades diretamente ao prefeito, considerando a possibilidade de que ele não tivesse conhecimento de todos os problemas relatados. A médica, entretanto, declarou que não conseguiu o atendimento que esperava e decidiu expor a situação publicamente.
A profissional também comparou sua experiência atual com o período em que o secretário Luis Carlos ocupava a Secretaria de Saúde. Conforme relatou, naquela época havia maior abertura para o diálogo e mais facilidade para comunicar problemas e buscar soluções relacionadas ao funcionamento das unidades.
• Condições de trabalho na Unidade Dona Bibi
Entre as situações mencionadas, Ediane chamou atenção para as condições da sala de triagem da Unidade de Saúde Dona Bibi. Segundo ela, o ambiente está com o ar-condicionado quebrado, o que gera desconforto para os profissionais durante a jornada de trabalho.
A médica destacou que a unidade atende moradores que dependem majoritariamente do Sistema Único de Saúde (SUS) e afirmou ter encontrado na comunidade uma equipe acolhedora e boas condições de relacionamento com os pacientes, apesar das dificuldades estruturais relatadas.
Ela também ressaltou a necessidade de garantir respostas às demandas relacionadas à assistência, especialmente nos casos que exigem acompanhamento contínuo e encaminhamentos para outros serviços de saúde.
Ao longo do depoimento, Ediane reforçou que sua principal preocupação é com a qualidade do atendimento prestado à população e com as condições necessárias para exercer a medicina com responsabilidade.
Posicionamento da gestão: Até o momento, o relato apresentado pela médica não inclui manifestação da Secretaria Municipal de Saúde, da profissional citada ou da Prefeitura de Itapajé sobre as acusações. O espaço permanece aberto para os esclarecimentos dos envolvidos.
📸 Imagem: Reprodução.
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